Prefeito de Cuiabá defende distinção entre feminicídio e crime passional
Abilio Brunini afirma que a classificação unificada de mortes de mulheres pode prejudicar a identificação dos fatos em Mato Grosso.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, defendeu nesta terça-feira, 7 de outubro, que assassinatos de mulheres motivados por crimes passionais não sejam automaticamente classificados como feminicídio. Para o gestor, é necessário diferenciar as mortes causadas por razões de gênero daquelas provocadas por traições, conflitos de relacionamento ou tráfico de drogas.
A declaração ocorreu após questionamentos sobre a fala da deputada eleita por São Paulo, Eduarda Campopiano, que afirmou não acreditar na existência do feminicídio. Abilio interpretou que a parlamentar estaria separando a motivação passional da motivação de gênero, embora tenha reconhecido que a afirmação da deputada foi um equívoco.
O prefeito argumentou que a união de diferentes motivações em uma mesma estatística prejudica a análise dos fatos. Ele citou como exemplo casos em que facções criminosas matam mulheres por questões ligadas ao tráfico de drogas, questionando se tais crimes deveriam ser tipificados como feminicídio ou crimes do tráfico.
Abilio Brunini afirmou reconhecer a existência do feminicídio, mas ressaltou que crimes passionais ocorrem com maior frequência e podem ser cometidos por ambos os sexos. Ele utilizou a comparação de mulheres que matam homens após a descoberta de traições para ilustrar a natureza do crime passional.
Para o prefeito, a delimitação correta entre feminicídio, crime passional e homicídios do tráfico evita a banalização dos termos e das justificativas. Ele concluiu que a falta de uma identificação precisa dos crimes pode comprometer a aplicação das penalizações adequadas.
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