Justiça libera acesso a dados de 20 investigados em Várzea Grande, MT
Decisão judicial autoriza quebra de sigilo de e-mails e nuvem para apurar suposto esquema criminoso na Câmara Municipal.

O juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias em Cuiabá, autorizou o acesso a e-mails e arquivos em nuvem de 20 pessoas investigadas em Várzea Grande, Mato Grosso. A medida integra a Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Gaeco na última terça-feira, dia 20, para apurar crimes como corrupção passiva, extorsão, concussão e falsidade contra a administração pública.
A investigação aponta que uma organização criminosa, composta por vereadores e terceiros, teria como meta a reeleição de Wanderley Cerqueira (MDB) na presidência da Câmara. O grupo também buscaria formar maioria para pressionar a cassação da prefeita Flávia Moretti (PL) e exercer influência sobre concessões públicas, como o transporte coletivo, e sobre o Departamento de Água e Esgoto (DAE).
Relatórios do Coaf indicaram movimentações financeiras incompatíveis, transferências sem causa aparente e uso de dinheiro vivo envolvendo servidores, assessores, parentes e empresas. Uma testemunha relatou a existência de pagamentos mensais de R$ 10 mil a vereadores, além do loteamento de cargos comissionados e o uso de gravações clandestinas para chantagear parlamentares.
O vereador Caio Cordeiro prestou depoimento afirmando que Wanderley teria proposto a distribuição de R$ 500 mil para cada vereador caso a privatização do DAE ocorresse. Cordeiro relatou ainda ter recebido uma oferta de R$ 100 mil por seu voto na eleição da Mesa e entregou ao Gaeco um dispositivo com mais de mil arquivos, incluindo áudios e comprovantes.
A decisão judicial determinou que Google, Microsoft e Apple preservem os dados dos investigados desde 1º de janeiro de 2024 por 180 dias. O magistrado também autorizou buscas em veículos e residências para a apreensão de computadores, celulares e documentos, citando o risco de ocultação de provas devido à falta de respostas da Mesa da Câmara a ofícios do Ministério Público.
Em nota, a Câmara de Várzea Grande informou que a sede do órgão não foi alvo de mandados e que as buscas nas casas de parlamentares referem-se a apurações individuais. Wanderley Cerqueira declarou desconhecer a operação e classificou a ação como estranha. O processo segue sob sigilo e, nesta fase preliminar, ninguém foi denunciado à Justiça.
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