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Representação feminina e feminicídio são debatidos em Mato Grosso

Dados eleitorais e falas de autoridades públicas em Cuiabá e no estado levantam discussões sobre desigualdade de gênero.

Por Redação VORA News
Representação feminina e feminicídio são debatidos em Mato Grosso

As eleições de 2026 em Mato Grosso evidenciaram a baixa representação feminina nos espaços de poder. Apesar de as mulheres formarem cerca de 51% do eleitorado e de terem registrado 139 candidaturas em 400 disputas, a proporção de eleitas permanece reduzida. Na Assembleia Legislativa, apenas duas mulheres conquistaram cadeiras entre as 24 disponíveis, enquanto três foram eleitas para as oito vagas do estado na Câmara dos Deputados.

A eleição de Gisela Simona para a vice-governadoria é citada como uma conquista, mas a análise do cenário político aponta a existência de machismo, misoginia e exclusão de gênero em MT. A cultura política, historicamente masculina, influencia a avaliação de lideranças, fazendo com que a firmeza feminina seja muitas vezes interpretada como arrogância ou agressividade, diferentemente da percepção sobre a liderança masculina.

O debate sobre a autonomia feminina se estende à segurança pública, especialmente após declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e do deputado estadual Gilberto Cattani. As falas sobre feminicídio são consideradas preocupantes por reduzirem crimes graves a questões de paixão, ciúme ou conflitos amorosos, o que pode banalizar a violência de gênero e a lógica de posse.

O feminicídio é definido como o assassinato de mulheres em contexto de violência de gênero, frequentemente precedido por humilhações, perseguições e tentativas de controle. A relativização desses crimes por representantes públicos é vista como um risco, pois influencia a interpretação social de comportamentos criminosos e ignora que a paixão não justifica assassinatos.

A discussão conecta a dificuldade de aceitar mulheres em cargos de decisão com a resistência à autonomia feminina na vida privada. Em Mato Grosso, onde há índices recordes de violência contra a mulher, defende-se que a democracia representativa deve ir além de permitir candidaturas, garantindo condições reais para que as mulheres participem das decisões da sociedade.

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