Mato Grosso busca US$ 750 milhões com créditos de carbono
Estado articula certificação internacional de emissões evitadas para monetizar a conservação da Amazônia, Cerrado e Pantanal.

O Governo de Mato Grosso trabalha para obter a certificação internacional de 50 milhões de toneladas de dióxido de carbono que deixaram de ser emitidas. A estratégia visa monetizar a preservação dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, com projeções internas de arrecadação de quase US$ 750 milhões referentes ao estoque produzido nos últimos quatro anos.
Para alcançar a valorização máxima no mercado, o estado busca a validação pelo padrão ART TREES, considerado o mais rigoroso do mundo. O pedido de credenciamento foi entregue pelo governador Mauro Mendes em 2022, durante a COP do Egito, e os formulários para a auditoria internacional estão em fase final de submissão.
A gestão estadual planeja a criação da Companhia Mato-Grossense de Ativos Ambientais (CMAA) para operacionalizar os contratos. A empresa de economia mista, que aguarda aprovação da Assembleia Legislativa, terá capital inicial de R$ 2 milhões e servirá para superar barreiras técnicas e financeiras que impedem pequenos produtores e indígenas de acessar o mercado global.
O secretário Adjunto de Meio Ambiente e coordenador do REDD+, Alex Marega, explica que mais de 80% das emissões em Mato Grosso vêm de mudanças no uso da terra. Ele destaca que a atuação do Estado como indutor é necessária porque a venda individual de reduções é cara e complexa para comunidades tradicionais e agricultura familiar.
O monitoramento é feito em tempo real pelo programa REDD+ Jurisdicional. Para a comercialização, foi estabelecido o período de referência de 2017 a 2021, visando mensurar os créditos gerados entre 2022 e 2026. Dados do INPE indicam que o estado reduziu o desmatamento em quase 90% nas últimas duas décadas.
Além do mercado regulado, o estado mantém o programa REM Mato Grosso, que recebeu doações de países como Alemanha e Reino Unido. Entre 2018 e 2024, foram investidos R$ 247 milhões em 155 projetos, beneficiando 131 organizações sociais, incluindo associações de agricultura familiar em regiões como o Distrito de Aguaçu, em Cuiabá.
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