PF apura saques de R$ 15,5 milhões em contas de ex-presidente do TCE-MT em Cuiabá
Investigação da Operação Tomada de Contas analisa movimentações bancárias e retiradas em espécie vinculadas a Sérgio Ricardo de Almeida.

A Polícia Federal identificou que contas bancárias de Sérgio Ricardo de Almeida, ex-presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), em Cuiabá, registraram R$ 15.553.500,00 em retiradas de dinheiro em espécie. Os dados constam em representação policial enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito da Operação Tomada de Contas.
O levantamento, que utilizou informações do Coaf, apurou ainda R$ 16.915.000,00 em provisionamentos para saques. A PF esclarece que a diferença de R$ 1,36 milhão entre os valores não indica necessariamente desvio, pois o provisionamento é apenas uma solicitação de disponibilidade de numerário que pode ser cancelada.
As movimentações envolveram contas de titularidade de Sérgio Ricardo, abastecidas majoritariamente por créditos vindos do TCE-MT. A PF analisou imagens de câmeras de segurança da agência do Sicoob instalada no Tribunal, onde observou a presença de Roseli Loss e a dinâmica de retirada de dinheiro.
Em 14 de outubro de 2025, agentes federais realizaram diligência sigilosa na agência do Sicoob após a solicitação de um provisionamento de R$ 490 mil. Na ocasião, policiais relataram a presença de Roseli Loss e de um homem com características físicas semelhantes às de Adriangelo Barros Antunes, servidor do Tribunal e ex-cunhado de Sérgio Ricardo.
O relatório policial descreve que o homem entrou na agência com uma mochila aparentemente vazia e saiu com o acessório aparentemente cheio. No entanto, a PF ressalta que a observação isolada não permite determinar o valor transportado nem a destinação do dinheiro.
A diligência de campo foi encerrada precocemente após a equipe de segurança interna do TCE-MT identificar os agentes federais, o que comprometeu o sigilo da operação. A PF não comprovou que a segurança tenha alertado os investigados ou obstruído a ação.
A Operação Tomada de Contas, iniciada em 29 de outubro, investiga crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a administração pública. O objetivo é esclarecer a finalidade dos saques e a relação dos valores com possíveis irregularidades em pagamentos e contratos do órgão.
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