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Política

Mulheres elegem duas representantes para a Assembleia Legislativa em Cuiabá, MT

Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira ocuparão cadeiras na ALMT a partir de 2027, retomando cenário de 2010.

Por Redação VORA News
Mulheres elegem duas representantes para a Assembleia Legislativa em Cuiabá, MT

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em Cuiabá, terá a presença de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos) a partir de 2027. As parlamentares foram eleitas no último domingo, dia 4, para ocupar duas das 24 cadeiras da Casa. Este é o primeiro pleito desde 2010 em que duas mulheres foram eleitas simultaneamente para mandatos titulares na instituição.

A trajetória feminina no Legislativo de MT começou em 1958 com Oliva Enciso, a primeira deputada estadual do estado. Professora e ex-vereadora de Campo Grande, Oliva atuou na educação e assistência social entre 1959 e 1963, período anterior à divisão do estado.

A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos explica que a presença feminina na vida pública mato-grossense cresceu nas décadas de 1920 e 1930, impulsionada pela imprensa, educação e lutas por direitos sociais. No entanto, a estrutura política marcada pelo patriarcado e coronelismo dificultou o acesso imediato aos cargos eletivos.

Madalena Rodrigues, coordenadora do Nuepom-UFMT, afirma que a política de Mato Grosso é patriarcal e cercada por homens. Para a especialista, as barreiras para as mulheres estão ligadas não apenas ao gênero, mas também a questões de raça e classe social.

A ex-deputada Vera Araújo, conhecida como Verinha, relata que enfrentou cobranças sobre sua competência por ocupar um espaço masculino. A parlamentar, que veio do movimento sindical e da educação, destaca a pressão e a culpa sentida pelas mulheres em relação aos cuidados com a família ao disputarem o poder.

A cientista política Christiany Fonseca observa que a maioria feminina no eleitorado não garante representação equivalente. Ela pontua que a permanência na política depende de acesso a recursos de campanha, apoio partidário e redes políticas efetivas.

Nas eleições de 2026, as candidaturas femininas em Mato Grosso representaram 34% do total, mesmo índice registrado em 2022. O resultado atual mantém a representação feminina em duas das 24 vagas disponíveis para a próxima legislatura.

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