Gaeco investiga suspeitas de compra de votos e propinas em Várzea Grande, MT
Investigação apura esquemas de mensalinho, movimentações financeiras atípicas e promessas de valores ligados a privatizações.

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) conduz investigações sobre a Câmara de Várzea Grande, em Mato Grosso. O processo apura a suspeita de compra de votos para a eleição da Mesa Diretora, além de indícios de um sistema de mensalinhos no valor de R$ 10 mil e ofertas de R$ 100 mil por voto.
As apurações incluem a promessa de pagamento de R$ 500 mil para cada vereador caso ocorra a privatização ou concessão do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Há também relatos sobre o pagamento de propinas para a aprovação de um projeto de energia solar.
Relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações atípicas. Os registros envolvem agentes políticos, assessores, familiares e empresas, com indícios de triangulação de recursos e uso de contas de passagem relacionadas a contratos públicos.
A justiça autorizou a realização de buscas e o acesso a dados eletrônicos para verificar a existência de gravações clandestinas. Tais registros poderiam comprovar quem realizou os pagamentos e quem recebeu as vantagens indevidas no Legislativo municipal.
Os autos mencionam ainda transações financeiras envolvendo o CEMED-VG, pessoas da área da saúde e agentes políticos, incluindo questões sobre fila zero. O Gaeco busca agora esclarecer se esses valores possuem relação com os fatos apurados na Câmara.
A investigação ocorre em um cenário de instabilidade no comando da Câmara de Várzea Grande, com a eleição da Mesa Diretora de maio deste ano suspensa. O objetivo do Gaeco é cruzar depoimentos com provas digitais e bancárias para identificar a origem dos recursos.
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