Cursos de Medicina crescem em Mato Grosso sob debate sobre exame de registro
Estado saltou de dois para nove cursos de Medicina em vinte anos enquanto entidades cobram rigor na formação.

O número de cursos de Medicina em Mato Grosso subiu de dois para nove nas últimas duas décadas. Atualmente, as instituições distribuídas em sete municípios do estado oferecem 680 vagas anuais autorizadas pelo Ministério da Educação (MEC).
O Congresso Nacional aprovou a obrigatoriedade de um exame de avaliação para a obtenção do registro profissional. A medida, porém, será aplicada apenas a estudantes que iniciarem a graduação a partir de junho de 2026, com previsão de cobrança entre o fim de 2032 e 2033.
Devido ao prazo, estima-se que cerca de 5 mil novos profissionais entrem no mercado antes da exigência. Diogo Sampaio, conselheiro do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), defende que o exame seja exigido também de quem está concluindo a graduação, nos moldes da OAB.
O presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindmed-MT), Adeildo Lucena, afirma que a medida é necessária devido à ineficiência do Estado em fiscalizar novas faculdades. Lucena defende que graduados no Brasil comprovem capacidade técnica antes de atender a população, similar à revalidação de diplomas estrangeiros.
Em Cuiabá, o diretor-geral do Hospital Santa Helena, Marcelo Sandrin, projeta que o mercado possa receber de 30% a 40% mais profissionais com deficiências na formação nos próximos cinco anos. Sandrin defende o fechamento de cursos sem estrutura e qualidade de ensino.
A nova regra não substitui as avaliações acadêmicas nem o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Dados do Enamed mostram que 30% dos 351 cursos avaliados no Brasil receberam conceitos insatisfatórios, entre 1 e 2, em uma escala de até 5.
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