Entidades assinam manifesto sobre desigualdade social em Mato Grosso
Documento questiona a distribuição de riqueza no estado e apresenta demandas da classe trabalhadora para 2026.
Um grupo de 28 entidades, composto por movimentos sociais, organizações populares e sindicatos, assinou o Manifesto da Classe Trabalhadora de Mato Grosso Diante das Eleições de 2026. A iniciativa foi coordenada pelo Grupo de Trabalho Política e Formação Sindical da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind).
O texto questiona a disparidade entre a alta produção de commodities no estado e a realidade de fome e precarização vivida por parte da população. O documento cita a fila do osso, em Cuiabá, como um exemplo da desigualdade social em contraste com as cifras bilionárias do agronegócio.
O manifesto afirma que a modernização tecnológica do campo e os recordes de produção em Mato Grosso convivem com a concentração fundiária e a degradação ambiental. Os signatários argumentam que a riqueza gerada não é distribuída entre quem a produz, resultando em baixos salários e desemprego.
Dados citados no documento apontam que, em 2025, Mato Grosso teve o maior número de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil, com 606 pessoas. A Comissão Pastoral da Terra registrou 63 conflitos no campo no estado, envolvendo quase 54 mil pessoas.
O manifesto relata a situação de uma trabalhadora venezuelana em Lucas do Rio Verde que deu à luz em um ponto de ônibus da empresa BRF S.A., sem assistência, e cujos filhos não sobreviveram. Investigações do Ministério Público do Trabalho na mesma unidade identificaram 144 ocorrências de aborto ou ameaça de aborto e 113 partos prematuros.
Diante do cenário para 2026, as entidades organizadoras defendem a luta por direitos como a reforma agrária, a proteção dos biomas mato-grossenses e a valorização dos serviços públicos. O grupo rejeita a ideia de que apenas o calendário eleitoral possa transformar a realidade social do estado.
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