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Política

Vereador de Várzea Grande movimentou R$ 3,1 milhões em seis meses

Investigação do Gaeco aponta que transações superam a renda estimada do parlamentar em Mato Grosso.

Por Redação VORA News
Vereador de Várzea Grande movimentou R$ 3,1 milhões em seis meses

O vereador de Várzea Grande, Miguel Angel Junior, movimentou R$ 3,17 milhões em sua conta pessoal entre julho e dezembro de 2025. Os dados foram analisados pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) na Operação Cathedra Venalis, que apura suspeitas de corrupção na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal em Mato Grosso.

No período citado, a conta do parlamentar registrou entradas de R$ 1,59 milhão e saídas de R$ 1,57 milhão. O volume total de movimentações é cerca de 7,5 vezes maior que a renda estimada do vereador, calculada em R$ 417,7 mil, embora parte dos valores seja fruto de transferências entre contas do próprio político.

A investigação também detalhou as finanças do Centro de Especialidades Médicas de Várzea Grande (CEMED-VG), empresa de serviços médicos onde o pai do vereador, Miguel Angel Claros Paz, possui 72% de participação. O parlamentar atua como representante legal da companhia, que possui contratos com a Prefeitura de Várzea Grande para exames, consultas e cirurgias.

Entre setembro de 2024 e setembro de 2025, a CEMED-VG movimentou R$ 2,62 milhões, valor 10,8 vezes superior ao faturamento anual declarado de R$ 242,6 mil. Os créditos da empresa incluem repasses do Instituto Social e Organizacional do Brasil (ISO Brasil), do Fundo Municipal de Saúde de Acorizal e do Fundo Municipal de Saúde de Várzea Grande.

O Gaeco identificou transferências da empresa para o vereador e seu pai que somam R$ 260,4 mil. Outro levantamento aponta que a conta de Miguel Angel Junior recebeu R$ 92,9 mil da CEMED-VG e que o parlamentar transferiu R$ 62 mil diretamente ao pai.

A análise financeira registrou ainda repasses da empresa para Rafael Piovezan de Campos, agente político de Acorizal, e seu pai, Marcian José de Campos, totalizando R$ 709,7 mil. As instituições financeiras também alertaram sobre um depósito de R$ 62,5 mil realizado em dinheiro vivo.

A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Até o momento, os documentos não comprovam que os contratos de saúde da empresa tenham sido usados para financiar o esquema de negociação de votos investigado.

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