Eleições podem impactar câmbio e receitas do agro em Mato Grosso
Projeções indicam variação no valor do dólar e reflexos nas margens líquidas da soja e do milho no estado.

O cenário econômico para o agronegócio em Mato Grosso deve apresentar maior clareza após o dia 25 de outubro. De acordo com Cogo, uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia alterar a projeção do dólar médio para 2027, que passaria de R$ 5,30 para um intervalo entre R$ 4,90 e R$ 5,10.
Dados mostram que a exposição ao câmbio é alta para as próximas safras. Antes do pleito, apenas 29% da soja 2026/27 e 12% do milho segunda safra de 2027 tinham preços fixados, deixando 71% da soja e 88% do milho vulneráveis às oscilações da moeda.
Cogo estima que a receita total da soja possa sofrer redução de 2,7% a 5,4%, enquanto a do milho pode cair entre 3,3% e 6,6%. Em simulações para Mato Grosso com o dólar a R$ 5,00, a margem líquida da soja recuaria de 14,3% para 9,1% e a do milho passaria de 20,3% para 15,5%.
Para o período 2027/2028, há a projeção de queda entre 0,8% e 4,7% na parcela dolarizada dos custos se o câmbio se mantiver nesse nível. O especialista aponta que máquinas, defensivos e fertilizantes poderiam ficar mais baratos, além de investimentos serem favorecidos por uma possível queda nos juros.
Cogo afirma que o produtor deve focar menos no câmbio isolado e analisar a combinação de preços internacionais, custos futuros, margem e percentual comercializado. Essa assimetria será fundamental para o planejamento das propriedades nos próximos meses.
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