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Política

Mulheres elegem duas representantes para a Assembleia Legislativa em Mato Grosso

Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira ocuparão cadeiras na ALMT a partir de 2027, em trajetória iniciada há quase 70 anos.

Por Redação VORA News
Mulheres elegem duas representantes para a Assembleia Legislativa em Mato Grosso

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso terá a presença de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos) a partir de 2027. As parlamentares ocuparão duas das 24 cadeiras da Casa, marcando a primeira vez em 16 anos que duas mulheres foram eleitas simultaneamente para mandatos titulares no órgão.

A representação feminina no Legislativo de MT começou em 1958 com a eleição de Oliva Enciso, a primeira deputada estadual do estado. Professora e ex-vereadora de Campo Grande, Oliva atuou na 4ª Legislatura, entre 1959 e 1963, época em que o território de Mato Grosso ainda não havia sido dividido.

A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos afirma que a presença feminina na vida pública foi impulsionada pela educação, imprensa e organizações de mulheres. No entanto, a estrutura política estadual foi historicamente marcada pelo patriarcado, coronelismo e relações familiares, exigindo que as mulheres buscassem reconhecimento via atuação social e escrita.

Madalena Rodrigues, coordenadora do Nuepom-UFMT, relaciona a baixa representação às barreiras de gênero, raça e classe. Já a cientista política Christiany Fonseca destaca que a maioria feminina no eleitorado não se traduz em representação automática, pois a permanência na política depende de recursos, apoio partidário e redes de competição.

A ex-deputada Vera Araújo, conhecida como Verinha, relata que a atuação em espaços masculinos gera cobranças excessivas sobre a competência feminina e sentimentos de culpa em relação aos cuidados com a família. Durante seu mandato, Verinha propôs leis sobre combate ao nepotismo, controle à anemia falciforme e meia-entrada para professores estaduais.

Nas eleições gerais de 2026, as candidaturas femininas em Mato Grosso representaram 34% do total, mantendo o mesmo índice registrado em 2022. O último pleito com duas mulheres eleitas para a ALMT ocorreu em 2010, com Luciane Bezerra e Teté Bezerra.

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