El Niño gera alerta para calendário da safra 2026/27 em Mato Grosso
Previsões de intensidade forte do fenômeno climático exigem planejamento rigoroso do plantio e da segunda safra no estado.

O agronegócio de Mato Grosso enfrenta desafios no planejamento da safra 2026/27 devido à intensificação do El Niño. A principal preocupação dos produtores em MT é a definição do momento ideal para o plantio da soja, visando evitar que atrasos comprometam a janela de cultivo da segunda safra, especialmente do milho e do algodão.
Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam alta probabilidade de um El Niño forte ou muito forte até março de 2027. No Brasil, o Painel El Niño 2026-2027, do INPE, apontou 95% de chance de intensidade muito forte entre outubro e dezembro. A Organização Meteorológica Mundial também alertou para alterações de temperatura e chuva no planeta.
Os impactos do fenômeno variam por região. Enquanto o Sul do Brasil pode ter chuvas acima da média, o centro-norte do país corre risco de temperaturas elevadas e precipitações abaixo do normal. Em Mato Grosso, o plantio avançou após um começo irregular, mas a distribuição das chuvas e a umidade do solo continuam sendo fatores de risco.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou, em outubro, uma produção nacional de 367,1 milhões de toneladas de grãos para o ciclo 2026/27, sendo 181,6 milhões de toneladas de soja e 148 milhões de toneladas de milho. O órgão ressalta que a perspectiva de crescimento nacional pode coexistir com dificuldades localizadas.
Para mitigar os riscos, a Embrapa e o Inmet apresentaram ao Ministério da Agricultura 163 medidas de gestão climática. A recomendação é que o produtor utilize o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e avalie o ciclo da cultivar e as condições do solo, em vez de antecipar ou atrasar o plantio de forma indiscriminada.
A gestão estratégica envolve o monitoramento do vigor das sementes, registro de chuvas por talhão e simulação de cenários de preços e produtividade. O planejamento financeiro e a cobertura do seguro rural são apontados como essenciais para aumentar a capacidade de reação do produtor diante de possíveis mudanças climáticas.
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