Duas mulheres serão eleitas para a Assembleia Legislativa em Mato Grosso
Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira assumem cadeiras titulares na ALMT a partir de 2027, retomando presença simultânea feminina após 16 anos.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso terá a presença simultânea de duas mulheres em mandatos titulares a partir de 2027, com a eleição de Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira. O fato ocorre 16 anos após o último pleito com esse resultado, ocorrido em 2010, quando Luciane Bezerra e Teté Bezerra conquistaram vagas para a 17ª Legislatura.
Apesar do avanço, os dados mostram que a participação nas disputas não se traduz proporcionalmente em cargos. Em 2026, as mulheres representaram 34% das candidaturas registradas no estado, percentual igual ao de 2022, mas apenas duas das 24 cadeiras da ALMT serão ocupadas por elas na próxima legislatura.
A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos explica que a atuação feminina na política mato-grossense cresceu nas décadas de 1920 e 1930, mas enfrentou barreiras como o coronelismo e a estrutura patriarcal. Oliva Enciso foi a primeira mulher eleita deputada estadual no estado, atuando na 4ª Legislatura entre 1959 e 1963.
Madalena Rodrigues, do Nuepom-UFMT, associa a baixa representatividade a fatores de gênero, raça e classe social. Já a cientista política Christiany Fonseca ressalta que a conquista de mandatos depende de acesso a recursos, apoio partidário e redes de apoio, e não apenas do registro da candidatura.
A ex-deputada Vera Lúcia Araújo, a Verinha, relata que a atuação em ambiente masculino exigia a prova constante de sua competência profissional. Ela também destaca a pressão da maternidade e a divisão de tarefas domésticas como desafios enfrentados por mulheres na vida pública.
Ao longo da história da ALMT, outras mulheres ocuparam cadeiras, como Sarita Baracat, Thaís Bérgo Duarte Barbosa, Serys Slhessarenko, Ana Carla Muniz, Chica Nunes e Janaina Riva. O registro inclui ainda parlamentares suplentes, com destaque para Eliane Xunakalo, a primeira mulher indígena a assumir temporariamente a casa.
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