Mulheres seguem em minoria na Assembleia Legislativa de Mato Grosso
A partir de 2027, apenas duas das 24 vagas do Parlamento estadual serão ocupadas por mulheres.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso terá a presença de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos) a partir de 2027. As parlamentares ocuparão duas das 24 cadeiras da Casa, mantendo a maioria masculina no Parlamento estadual em Cuiabá.
O número de mulheres eleitas para mandatos titulares cresce em relação à legislatura atual, que contou apenas com Janaina Riva (MDB). No período, outras mulheres assumiram postos via suplência, incluindo Eliane Xunakalo (PT), a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira na história da ALMT.
A trajetória feminina no Legislativo de MT começou em 1958 com a eleição de Oliva Enciso. Professora e ex-vereadora de Campo Grande, ela atuou na 4ª Legislatura entre 1959 e 1963, focando em assistência social e educação.
A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos explica que a participação institucional feminina ganhou força nas décadas de 1920 e 1930. No entanto, a estrutura política do estado foi marcada por organizações patriarcais, coronelismo e relações familiares, dificultando o acesso imediato a cargos eletivos.
A ex-deputada Vera Araújo, conhecida como Verinha, relata que a atuação em espaços masculinos gera cobranças extras sobre a competência da mulher. Ela destaca a pressão e a culpa associadas à conciliação entre a vida pública e as responsabilidades com a família e os filhos.
A cientista política Christiany Fonseca avalia que a maioria feminina no eleitorado não garante representação equivalente. Segundo ela, a conquista do mandato depende de acesso a recursos de campanha, apoio partidário e redes políticas efetivas.
Nas eleições de 2026, as mulheres representaram 34% das candidaturas registradas em Mato Grosso, mesmo índice de 2022. A eleição de duas mulheres para mandatos titulares ocorre após 16 anos, desde que Luciane Bezerra e Teté Bezerra foram eleitas em 2010.
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