Violência política contra mulheres cresce no Brasil e atinge Mato Grosso
Levantamentos indicam aumento de ataques nas eleições de 2026, com maior incidência sobre mulheres negras.

A violência política contra mulheres apresenta crescimento no Brasil, impactando a participação feminina em espaços de poder em todo o país, incluindo Mato Grosso. Dados de organizações de direitos humanos e órgãos governamentais revelam que ataques de gênero e raça são obstáculos persistentes durante períodos eleitorais.
Um estudo das entidades Terra de Direitos e Justiça Global registrou 134 casos de violência política até o primeiro turno das eleições de 2026, o que representa um episódio a cada nove horas. Mulheres foram vítimas em 70 dessas ocorrências, correspondendo a 52,2% do total. Entre os casos direcionados a candidatas, o percentual de mulheres sobe para 58,8%, apesar de representarem apenas um terço das candidaturas.
O Disque 180 contabilizou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026. O recorte racial mostra que mulheres pretas e pardas concentraram mais de 53% dos registros, com 842 ocorrências, enquanto mulheres brancas apareceram em 590 casos, equivalentes a 37,72%.
Relatos entregues ao Tribunal Superior Eleitoral por organizações da sociedade civil detalham agressões físicas, verbais, ameaças de morte e estupro. A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva, a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara, denunciou à Polícia Civil ameaças de violência sexual, ataques racistas e a exposição de seus dados pessoais.
Sandra Kennedy, secretária do Ministério das Mulheres, afirma que a violência política decorre de problemas estruturais e da misoginia. Segundo a secretária, as agressões variam de ameaças à vida a comportamentos velados que buscam desestimular a presença feminina na política.
O histórico de violência inclui casos emblemáticos, como o assassinato de Marielle Franco em 2018, a importunação sexual de Isa Penna em 2020 e ataques verbais contra Maria do Rosário em 2014. Outras parlamentares, como Simone Tebet e Soraya Thronicke, relataram interrupções e desqualificações em sessões do Senado em 2021.
Vítimas de violência política podem denunciar os fatos à Justiça Eleitoral, ao Ministério Público, à Polícia Federal ou em delegacias estaduais. O Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União oferece orientação jurídica, e a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190 em situações de risco imediato.
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