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Política

Cármen Lúcia critica desinformação e queda de confiança na urna em Cuiabá

Ministra do STF participou da Semana do Conhecimento da UFMT em Mato Grosso e falou sobre inteligência artificial e democracia.

Por Redação VORA News
Cármen Lúcia critica desinformação e queda de confiança na urna em Cuiabá

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta terça-feira (13), em Cuiabá, que é fácil espalhar a desconfiança sobre as instituições. Durante a abertura da Semana do Conhecimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ela citou a queda da confiança dos brasileiros na urna eletrônica, que recuou de 97% para 73%, apesar de o equipamento ser auditável.

Cármen Lúcia, que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até maio, defendeu que a urna pertence ao povo brasileiro e não aos juízes. Sobre a desconfiança no Judiciário, a ministra destacou que existem 80 milhões de processos em andamento, envolvendo entre 150 milhões e 160 milhões de cidadãos, ressaltando que, embora a crítica seja válida, a confiança deve ser mantida.

A ministra abordou a desinformação nas redes sociais, apontando que a viralização e a aparência de verdade das mentiras dificultam a distinção entre o falso e o real. Ela relatou ter sido alvo de notícias falsas, como publicações afirmando que estaria em Brasília enquanto se encontrava em Mato Grosso, ou que teria votado em processos que ainda não havia estudado.

Sobre a inteligência artificial, Cármen Lúcia declarou que não tem medo da tecnologia, mas sim da desinteligência natural. A ministra, que representa o Brasil na Comissão de Veneza, criticou os algoritmos que filtram o conteúdo visto pelos usuários e mencionou que professores têm recebido trabalhos idênticos produzidos por ferramentas de IA.

A ministra também falou sobre a violência contra a mulher, classificando o Brasil como uma sociedade machista e misógina, onde ocorre a morte de uma mulher a cada menos de seis horas. Ela citou o apagamento histórico de mulheres, como Hipólita Jacinta, e a apropriação de trabalhos de cientistas por colegas homens, mencionando o caso de Rosalind Franklin.

No evento, Cármen Lúcia recebeu a Láurea da Ordem Universitária do Brasão da UFMT, a maior honraria da instituição. A homenagem, aprovada por unanimidade, reconheceu a atuação da ministra em temas como proteção dos direitos das mulheres, liberdade de expressão e cotas raciais no ensino superior.

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