MP processa prefeito de Juína por repasses de R$ 280 mil em Mato Grosso
Ação de improbidade administrativa questiona financiamento de festa presidida por filha de vereador aliado.

O Ministério Público de Mato Grosso ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o prefeito de Juína, Paulo Augusto Veronese. A investigação aponta que o gestor autorizou o repasse de R$ 280 mil para a Associação Juinense de Equoterapia Rancho 3 Irmãos, entidade presidida pela filha do vereador Antonio José da Silva, conhecido como Tonhão do Rancho.
Os recursos foram destinados a duas edições da Festa do Laço do Rancho Três Irmãos, ocorridas em 2025 e 2026. O primeiro repasse foi de R$ 100 mil e o segundo de R$ 180 mil. A Promotoria destaca que o evento já havia realizado 18 edições sem verbas municipais, passando a receber o financiamento após a posse do vereador.
O promotor de Justiça Dannilo Preti Vieira fundamenta a ação na Lei Federal 13.019/2014, que proíbe parcerias entre a administração pública e organizações dirigidas por parentes de membros do Poder Público da mesma esfera até o segundo grau. O MP ressalta que o prefeito e o vereador são do mesmo partido e foram aliados em campanha eleitoral.
A investigação aponta irregularidades na liberação da verba de 2026, que ocorreu em poucas horas após o parecer jurídico, com o pagamento efetuado no dia seguinte, na abertura da festa. Além disso, o MP identificou que a presidente da associação assinou declaração negando parentesco com membros do Poder Público, contrariando documentos entregues à prefeitura.
A Promotoria questiona a ausência de metas mensuráveis nos planos de trabalho e a falta de indicadores de benefício para a população. A defesa da prefeitura e da associação alegou que os eventos eram gratuitos, tradicionais e que a presidente agiu de boa-fé, mas os argumentos foram rejeitados pelo Ministério Público.
O Ministério Público pede a condenação solidária do prefeito e da associação para devolver os R$ 280 mil aos cofres públicos. A ação também requer sanções como a perda da função pública, suspensão de direitos políticos, multa civil e proibição de contratar com o Poder Público.
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