Morte de indígenas em Cáceres é pauta na Comissão Interamericana de Direitos Humanos
Famílias e organizações cobram responsabilização por mortes ocorridas em operação policial na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia.

A morte de quatro indígenas do povo chiquitano, ocorrida em Cáceres, Mato Grosso, é um dos temas de audiência pública da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) nesta quarta-feira, 28. O evento acontece na Cidade do Panamá e discute padrões de atuação policial em comunidades da Amazônia brasileira.
O caso aconteceu em 11 de agosto de 2020, na fronteira entre MT e Bolívia. As vítimas foram Paulo Pedraza Chore, Ezequiel Pedraza Tosube, Yonas Pedraza Tosube e Arcindo Sumbre García, mortos por agentes do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), da Polícia Militar de Mato Grosso.
Policiais afirmaram que houve troca de tiros após abordagem de homens armados em área de mata, suspeitos de tráfico de drogas. Já os familiares e entidades indigenistas denunciam a ação como uma chacina, relatando que as vítimas caçavam e apresentavam sinais de tortura e execução nos corpos.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apontou a falta de perícia no local e informou que, entre julho e outubro de 2020, 17 pessoas morreram em operações do Gefron na região, a maioria do povo Chiquitano. O Conselho Nacional dos Direitos Humanos pediu o afastamento dos policiais, mas a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) negou a solicitação.
A audiência na CIDH foi solicitada por seis instituições, incluindo a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O objetivo é dar visibilidade internacional a denúncias de homicídios, torturas e invasões cometidas por agentes públicos em territórios tradicionais.
Além do episódio em Mato Grosso, o encontro aborda o massacre dos rios Abacaxis e Mari-Mari, ocorrido no Amazonas em agosto de 2020. As organizações buscam pressionar por investigações independentes, medidas de prevenção e a reparação das famílias das vítimas.
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