Justiça proíbe influenciador de Campo Novo do Parecis de incentivar discriminação
Decisão liminar atende pedido do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso após vídeos com orientações para contratação e demissão baseadas em ideologia.

Um empresário e influenciador digital de Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, foi proibido por decisão liminar de divulgar ou incentivar práticas discriminatórias no mercado de trabalho. A medida, obtida pelo Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT), impede a promoção de critérios políticos, religiosos ou estéticos para a contratação e demissão de funcionários.
A ação civil pública foi motivada por vídeos publicados no Instagram do influenciador, que possui mais de 100 mil seguidores. Nas gravações, ele orientava empresários a analisarem as redes sociais de candidatos para verificar posições políticas e sugeria que características como cabelos coloridos e piercings estivessem ligadas a ideologias específicas.
Em publicações feitas após o segundo turno das Eleições Gerais, o influenciador recomendou a não contratação ou a demissão de trabalhadores petistas. Ele também declarou que não contratava pessoas que não compartilhassem de sua fé religiosa e oferecia mentorias e métodos de contratação para a formação de equipes sob esses critérios.
O MPT em Mato Grosso argumenta que as falas superam a liberdade de expressão, pois incentivam outros empregadores a adotar condutas discriminatórias. O órgão destaca que a oferta comercial de cursos e consultorias amplia o alcance dessas orientações e o potencial de disseminação das práticas.
Além da proibição das publicações, a ação requer que os réus paguem R$ 200 mil por dano moral coletivo. O pedido fundamenta-se na gravidade das declarações e nos possíveis prejuízos à igualdade de oportunidades e à liberdade de convicção religiosa e política no ambiente profissional.
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