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Onça aprende a desviar de cercas elétricas em Porto Jofre, Mato Grosso

Estratégia do Instituto Impacto reduz conflitos entre felinos e produtores de gado no Pantanal.

Por Redação VORA News
Onça aprende a desviar de cercas elétricas em Porto Jofre, Mato Grosso

Uma onça-pintada chamada Cyntia mudou seu comportamento em uma propriedade rural em Porto Jofre, Mato Grosso. Após a instalação de cercas elétricas para proteger o gado de seu Zé e dona Gonza, o animal aprendeu a evitar as áreas de conflito, como o curral e as proximidades das casas.

O sistema utiliza descargas elétricas de curta duração em pulsos momentâneos, com tensão acima de 5 quilowatts. Segundo Paul Raad, presidente fundador do Instituto Impacto, o objetivo é criar um estímulo aversivo que faça a onça recuar sem causar ferimentos ao animal.

Câmeras de monitoramento registraram que Cyntia continua circulando pela região, mas agora se alimenta apenas de presas silvestres e está acompanhada de dois filhotes. A presença de um macho na área também foi identificada, indicando que o território oferece condições para a reprodução da espécie.

O projeto, que conta com apoio do WWF-Brasil, já instalou cercas elétricas em quatro propriedades da região pantaneira e em cinco propriedades em Poconé, com uma sexta em preparação. A iniciativa busca a coexistência, evitando a retirada dos felinos de seus territórios.

Pesquisadores observaram que as onças podem aprender por observação. Registros mostram que, após um indivíduo receber a descarga, outros animais passaram a cheirar a estrutura e evitar o contato, reconhecendo o risco sem precisar vivenciá-lo diretamente.

Paul Raad ressalta que a facilidade de acesso aos animais de criação e a localização dos currais influenciam os ataques, que não significam necessariamente a falta de presas naturais. O instituto monitora agora se esse padrão de adaptação se repete em outros animais.

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