Operação em Várzea Grande investiga compra de votos e esquema com DAE em MT
Presidente da Câmara é acusado de oferecer R$ 500 mil a vereadores para articular cassação de prefeita.

O presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), é alvo da Operação Cathedra Venalis. A ação, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), investiga suspeitas de corrupção e extorsão relacionadas à eleição da Mesa Diretora do município em Mato Grosso.
Wanderley é acusado de oferecer R$ 500 mil a cada vereador para garantir apoio à sua reeleição. A investigação aponta ainda a existência de um mensalinho, com pagamentos mensais de R$ 10 mil aos parlamentares, além da distribuição de cargos comissionados e a retenção de cartas de renúncia assinadas em branco.
De acordo com depoimento de um vereador, o presidente da Casa teria planejado a cassação da prefeita Flávia Moretti (PL) para assumir a gestão municipal. O plano incluiria a privatização ou concessão do Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG), com a posterior partilha dos valores obtidos com a venda da autarquia.
A operação também apura um possível acordo entre Wanderley e Rômulo Botelho, sócio da empresa União Transportes e Turismo Ltda. O objetivo seria manter o contrato de transporte coletivo e evitar a fiscalização da Câmara, incluindo a tentativa de barrar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o setor.
As investigações citam um vídeo onde Rogério França Martins, ex-diretor do DAE, aparece recebendo maços de dinheiro. O episódio resultou na exoneração de Rogério pela prefeita, que posteriormente retornou à Câmara como líder do governo.
Ao todo, 30 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Várzea Grande, Cuiabá e Chapada dos Guimarães. Além de Wanderley, a operação atingiu 12 vereadores da cidade, dois parlamentares de Cuiabá, a diretora financeira da Casa e o secretário legislativo.
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