Prefeito afasta servidores envolvidos em operação em Sinop, MT
Ação do GAECO investiga pagamento de propinas para favorecer processos administrativos e obras irregulares.

O prefeito de Sinop, em Mato Grosso, determinou o afastamento de servidores efetivos envolvidos na Operação Mãos à Obra. A medida é válida até fevereiro do próximo ano e inclui Valdinei Monteiro da Silva, Júlio Henrique Verdu Garcia, Eliseu Rodrigues de Carvalho e um auxiliar de serviços gerais, que foi alvo de busca e apreensão.
Valdinei e Eliseu atuavam como fiscais de obras, posturas e urbanismo desde 2008, com salários acima de R$ 4,3 mil. Já Júlio Henrique, engenheiro civil na prefeitura desde o mesmo ano, recebia remuneração superior a R$ 13,6 mil. O auxiliar de serviços gerais, no cargo desde 1991, tinha salário de R$ 3,7 mil.
A operação resultou ainda na prisão do empresário Agnaldo Rael da Silva e de uma empresária, com prisões preventivas mantidas após audiência de custódia. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, incluindo a sede da secretaria municipal de Planejamento Urbano e Habitação, com bloqueio de valores de até R$ 80 milhões e sequestro de três imóveis.
Na residência de Agnaldo, o GAECO apreendeu R$ 302 mil em espécie e seis carros de luxo avaliados em mais de R$ 6 milhões, entre modelos BYD, GM Corvette, Audi e Toyota. A Justiça também determinou a suspensão das atividades econômicas de uma empresa investigada.
A promotora de Justiça Roberta Cheregatti Sanches informou que a investigação apura a exigência de dinheiro para acelerar processos, aprovar projetos e permitir a conclusão de obras irregulares entre 2017 e este ano. A promotora destacou a existência de 106 imóveis apontados como irregulares no município.
As suspeitas indicam que a construtora investigada não possuía engenheiro ou arquiteto responsável e utilizava modelos de construção para maximizar o número de kitnets, desrespeitando recuos obrigatórios. Há indícios de que um fiscal e um empresário mantinham vínculo há mais de dez anos para viabilizar o esquema.
A investigação aponta que parte do dinheiro ilegal era usada para evitar a fiscalização de obras por outros servidores e facilitar a emissão de Habite-se. O Ministério Público também verifica se construções foram iniciadas sem a devida autorização formal da prefeitura.
Mais notícias de Mato Grosso
- Barranco declara preferência por Doutor João, mas diz que PT ainda discute posição na Mesa
- Pivetta promete tirar MT-030 do papel e criar novo acesso a Chapada; veja projeto
- Câmara de Cuiabá endurece regras de acesso e restringe circulação de visitantes
- STJ barra pedido para anular provas de operação sobre uso de nome do presidente do TJ
- Pivetta anuncia Rogério Gallo para comandar coordenação econômica e administrativa do governo de MT
- Vice-governadora eleita, Gisela Simona é nomeada secretária de Assistência Social