MP recomenda lei contra conflito de interesses em Novo São Joaquim, MT
Controlador interno da prefeitura atuava como contador de empresas fornecedoras do município.

O Ministério Público de Mato Grosso recomendou que o prefeito de Novo São Joaquim, Leonardo Faria Zampa, envie um projeto de lei à Câmara Municipal para proibir servidores do controle interno de prestar serviços de consultoria, assessoria ou contabilidade a contratantes da prefeitura.
A medida foi proposta pelo promotor de Justiça Fabrício Miranda Mereb após inquérito civil. A investigação constatou que o titular da Unidade de Controle Interno possuía vínculo como contador de empresas locais, incluindo fornecedoras da administração pública, enquanto exercia o cargo.
Atualmente, a legislação municipal não impede tal prática. As leis de 2009 e 2011 proíbem apenas atividades político-partidárias e ações contra a prefeitura. O promotor argumenta que a independência do controlador, responsável por analisar despesas e licitações, exige a ausência de vínculos privados com os fiscalizados.
O documento cita a Lei de Improbidade Administrativa sobre a irregularidade de prestar assessoria a quem tenha interesses afetados pelas atribuições do cargo, embora não atribua ato de improbidade ao servidor. O controlador alegou no inquérito que o decreto de 2009, que regulamenta o sistema, nunca foi publicado oficialmente.
Até que a nova lei seja aprovada, a prefeitura deve criar um ato exigindo que servidores do setor declarem anualmente suas atividades privadas. Caso haja conflito com empresas ou pessoas atendidas, o servidor deve ser impedido de atuar e substituído pelo prefeito.
O Ministério Público determinou ainda que a prefeitura verifique a publicação do decreto de 2009 em 30 dias. No mesmo período, o controlador atual deve entregar sua declaração de atividades e ser afastado de processos ligados às empresas que indicar.
A prefeitura tem dez dias úteis para responder se aceita a recomendação. O descumprimento pode resultar em ações judiciais, e a medida não exclui a possibilidade de apurações disciplinares.
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