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Obras da prefeitura de Poconé são investigadas após Rio Claro secar em MT

Ministério Público de Mato Grosso analisa se aterros em estradas vicinais prejudicaram o escoamento natural de águas no Pantanal.

Por Redação VORA News
Obras da prefeitura de Poconé são investigadas após Rio Claro secar em MT

O leito do Rio Claro, localizado na região da Rodovia Transpantaneira, em Poconé, Mato Grosso, foi visto completamente seco nesta semana. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou um inquérito civil para investigar se aterros e estruturas de drenagem em estradas vicinais do município prejudicaram o fluxo natural entre o rio Cuiabá, corixos e áreas inundáveis.

Um relatório técnico elaborado pela geóloga Sandra Márcia de Laet, com apoio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), analisou mais de 16 km de estradas. O documento identificou que uma ponte de madeira construída pela prefeitura possui um aterro de cerca de quatro metros de altura dentro do canal, o que estaria bloqueando a passagem da água.

A análise apontou ainda que um canal com largura natural entre 16 e 18 metros chegou a superar 42 metros em áreas alteradas. No Rio Velho, foram identificados dois aterramentos. Sobre o Rio Claro, o relatório indica a necessidade de estudos detalhados para confirmar a ligação direta com as intervenções das obras.

O guia pantaneiro Max Paixão de Abreu, de 42 anos, relatou que é a primeira vez que vê o rio seco. Ele destacou que algumas famílias da região precisaram cavar poços para sobreviver, ressaltando a importância das nascentes para o bioma.

O prefeito de Poconé, Jonas Eduardo de Queiroz, afirmou que cumprirá as recomendações do Ministério Público. Ele justificou que a ponte mencionada é a única estrutura de sua gestão e alegou que a vazão atual é maior do que a de um tubo de 2,5 metros de diâmetro que existia anteriormente.

Em reunião realizada no dia 15 deste mês, a prefeitura de Poconé e o Ministério Público definiram a execução e fiscalização de obras emergenciais para restabelecer a circulação das águas. O MPMT recomenda a retirada controlada de aterros, controle de erosão e a avaliação da ponte.

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