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Política

Vereador relata oferta de R$ 2 milhões para barrar CPI em Várzea Grande, MT

Depoimento ao Gaeco aponta tentativa de compra de apoio para proteger empresa de transporte coletivo.

Por Redação VORA News
Vereador relata oferta de R$ 2 milhões para barrar CPI em Várzea Grande, MT

O vereador Caio Cordeiro, do partido Novo, relatou ao Ministério Público Estadual a existência de uma suposta negociação financeira para impedir a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em Várzea Grande, Mato Grosso. O objetivo da investigação seria apurar irregularidades na empresa União Transporte e Turismo Ltda, responsável pelo transporte coletivo da cidade.

Em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o parlamentar afirmou possuir gravações onde foi sugerida a retirada da CPI mediante vantagem financeira. De acordo com o documento, um dos interlocutores chegou a mencionar que o valor de R$ 2 milhões seria insuficiente para resolver a situação.

O relato integra a Operação Cathedra Venalis, que investiga suspeitas de corrupção, organização criminosa, ameaças e compra de votos na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. O presidente do Legislativo, Wanderley Cerqueira, é um dos principais alvos da ação.

Caio Cordeiro declarou que enfrentou dificuldades para fiscalizar a concessionária e que propostas legislativas sobre a empresa eram barradas. Ele relatou ainda que, ao insistir na CPI, houve tentativas de encaminhá-lo à Comissão de Ética para a cassação de seu mandato.

A investigação do Gaeco analisa diálogos entre o vereador, William Ribeiro Cerqueira e o vereador Cilço da Cruz Filho. Nas conversas, teriam ocorrido tentativas de convencer Caio a desistir da CPI e a se aproximar politicamente de Wanderley Cerqueira, que manteria um acordo com Rômulo Botelho, sócio da União Transporte.

O parlamentar também informou o furto de seu notebook e documentos de fiscalização, incluindo gravações de uma suposta oferta de dinheiro feita por Wanderley Cerqueira. Após o crime, Caio afirma ter recebido ameaças, com a imagem de uma arma de fogo, para retirar o boletim de ocorrência.

A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Várzea Grande, Cuiabá e Chapada dos Guimarães. Além de Wanderley Cerqueira, a lista de investigados inclui diversos vereadores, a diretora financeira da Casa, o secretário legislativo e dois vereadores de Cuiabá.

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