Câmara de Várzea Grande nega ser alvo de operação do Gaeco em MT
Investigação apura suspeitas de compra de votos na eleição da Mesa Diretora do Legislativo municipal.

A Câmara Municipal de Várzea Grande, em Mato Grosso, informou por meio de nota oficial que não foi alvo de mandados de busca e apreensão ou medidas judiciais em suas dependências durante a Operação Cathedra Venalis. O órgão afirmou que a ausência de mandados na sede demonstra que não há investigações sobre a gestão financeira, orçamentária ou atos administrativos da Casa.
A operação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), cumpre 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. O foco da investigação são suspeitas de corrupção, organização criminosa e obtenção de vantagens indevidas na eleição da Mesa Diretora.
Entre os alvos estão 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá. A Câmara Municipal argumentou que as buscas realizadas nas residências de parlamentares são apurações individuais, cabendo a cada citado o acesso ao processo para a defesa.
Apesar da nota, servidores da Casa também foram atingidos. O presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira, confirmou que a diretora financeira, Lorineide Inhan, teve a casa visitada por policiais. O secretário Samir Japonês teve o celular apreendido e relatou que a operação estaria ligada ao seu cargo de servidor e à eleição da Mesa Diretora.
A denúncia enviada ao Ministério Público indica que vereadores teriam ficado hospedados em uma chácara no distrito da Guia antes da votação, sob vigilância de seguranças armados, e que dinheiro teria sido utilizado para garantir a vitória da chapa. A apuração também investiga um possível acordo sobre a privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande.
A eleição ocorrida em 14 de maio, que reconduziu Wanderley Cerqueira à presidência, foi anulada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter sido realizada fora do prazo. Uma nova votação ainda não foi agendada e o processo segue sob sigilo, sem a divulgação da lista oficial de investigados pelo MPMT.
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