Interior de Mato Grosso pode ter queda de 6,5% na renda com congelamento de benefícios
Estudo da USP indica que a ausência de reajustes reais em aposentadorias e auxílios impacta a economia de municípios fora de regiões metropolitanas.

O congelamento ou corte de valores de aposentadorias, do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) pode causar retração econômica em cidades do interior do Brasil, incluindo Mato Grosso. Um levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da FEA-USP, aponta que a renda total desses municípios ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do nível atingido com a valorização dos benefícios.
No interior de Mato Grosso, a perda de renda estimada seria de 6,5%, colocando o estado no grupo de menor impacto junto a outras unidades da federação, como São Paulo e Rio Grande do Sul. Em contraste, estados do Norte e Nordeste teriam perdas maiores, chegando a 18% no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí.
A pesquisa destaca que as transferências públicas possuem maior peso financeiro em cidades fora das regiões metropolitanas. No Ceará, por exemplo, enquanto os benefícios representam 22% da renda na capital e região metropolitana, esse índice sobe para 40% no interior do estado.
A economista Luiza Nassif, professora da Unicamp e pesquisadora do Made, explica que o valor recebido por famílias pobres é utilizado quase totalmente em itens de primeira necessidade. Segundo a especialista, esse fluxo financeiro circula no comércio local, assegura empregos e mantém a arrecadação dos municípios.
O estudo simulou dois cenários para os próximos três anos: um com aumento real, seguindo a regra de 2022 a 2025, e outro com congelamento total, como ocorreu entre 2019 e 2022. A diferença entre as projeções revela que a falta de ganho real afetaria inclusive famílias que não dependem de auxílios governamentais.
Sobre a pobreza, a simulação indica que 2,7 milhões de pessoas fora de regiões metropolitanas teriam caído na pobreza sem os ganhos reais de 2022 a 2025, sendo 2,4 milhões em situação de extrema pobreza. Os maiores aumentos absolutos ocorreriam na Bahia, São Paulo e Minas Gerais.
Luiza Nassif ressalta que, em famílias com renda de até 1,5 salário mínimo por pessoa, os benefícios podem representar metade do rendimento. Para quem vive nesse limite, qualquer reajuste abaixo da inflação levaria a família diretamente para a pobreza.
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