PF apura pagamentos milionários fora da folha no TCE em Cuiabá, MT
Operação Tomada de Contas investiga uso de canal de fornecedores para repasses a servidores e conselheiros.

A Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas em Cuiabá, Mato Grosso, para investigar a existência de uma folha de pagamentos paralela no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). A investigação aponta que o órgão utilizou o canal de pagamento de fornecedores para transferir milhões de reais a conselheiros e servidores sem o devido registro na folha salarial oficial.
De acordo com a decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Tesouro Estadual transferiu R$ 736 milhões ao tribunal via duodécimos no período analisado. Parte desses recursos teria sido destinada a 292 pessoas físicas por meio de ordens bancárias avulsas. O Ministério Público Federal afirma que tais repasses não possuem respaldo legal, mesmo se fossem considerados verbas indenizatórias.
A PF identificou que sete conselheiros receberam cerca de R$ 48,4 milhões em menos de dez meses no ano passado, valores que não constavam no Portal da Transparência. Entre os casos, o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, teria recebido mais de R$ 15,4 milhões, enquanto o portal registrava R$ 288 mil. O consultor jurídico-geral, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, teria recebido R$ 32,3 milhões.
Outros beneficiários citados são o advogado Gustavo Fernandes da Silva, com R$ 15,9 milhões, e o conselheiro Guilherme Maluf, com R$ 10,6 milhões. A Polícia Federal suspeita que os valores tenham sido ocultados através de transferências fracionadas e saques em espécie. A operação resultou na prisão de Sérgio Ricardo, Grhegory Paiva, Adriangelo Barros Antunes, Roseli Loss, Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes.
Além dos pagamentos irregulares, a PF investiga o favorecimento de empresas contratadas pelo tribunal. Há a hipótese de que a manutenção de contratos dependesse da devolução de valores para pessoas ligadas à Presidência do TCE-MT. Foram identificadas movimentações suspeitas que somam R$ 75,8 milhões entre janeiro e outubro de 2025.
As ações ocorreram em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, com a apreensão de dinheiro, carros, relógios de luxo e bebidas. Os conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar foram afastados de seus cargos. A investigação apura crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato-desvio, corrupção passiva e concussão.
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