Custos do milho superam receita em Mato Grosso para safra de 2027
Projeções do Imea indicam diferença negativa de R$ 245 por hectare, alertando produtores sobre a rentabilidade do cereal.

O planejamento da segunda safra de milho de 2027 em Mato Grosso enfrenta um alerta financeiro. De acordo com levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo operacional total é estimado em R$ 6.070 por hectare, valor que supera a receita projetada de R$ 5.825, resultando em uma diferença negativa de R$ 245 por hectare.
Os cálculos baseiam-se em um preço médio de R$ 48,69 por saca e produtividade de 119,64 sacas por hectare, com referências de setembro. Embora a receita ainda seja maior que o custo operacional efetivo, estimado em R$ 5.508, a inclusão dos demais componentes do custo total torna o resultado negativo.
Apesar das margens apertadas, a área cultivada deve crescer. O Imea projeta um aumento de 0,59% em Mato Grosso, chegando a 7,48 milhões de hectares, enquanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê alta de 3,7% na área de segunda safra em todo o Brasil para 2026/27.
A cautela financeira reflete também no mercado de fertilizantes. Após entregas recordes de 49,1 milhões de toneladas em 2025, o setor estima que o volume comercializado em 2026 possa cair entre 10% e 15%.
Para mitigar riscos, agricultores de algumas regiões avaliam a substituição do milho por culturas como feijão-mungo e gergelim, que demandam menor investimento inicial, ou o uso de milheto para conservação do solo.
Um fator de suporte é a expansão da indústria de etanol de milho, que eleva a demanda interna e cria novas opções de venda. O cenário exige que o produtor foque na eficiência produtiva e no planejamento comercial para garantir a viabilidade econômica da atividade.
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