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El Niño pode reduzir safra de soja em Mato Grosso, aponta estudo

Simulação da Serasa Experian indica que a produção nacional pode cair 17,6 milhões de toneladas na safra 2026/27.

Por Redação VORA News
El Niño pode reduzir safra de soja em Mato Grosso, aponta estudo

Um estudo da Serasa Experian indica que a safra de soja 2026/27 no Brasil pode ter uma redução de 17,6 milhões de toneladas caso ocorra um cenário de El Niño forte. Em comparação a condições climáticas neutras, a produção nacional cairia de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas, o que representa uma diferença de 9,7%.

O estado de Mato Grosso apresenta a maior diferença entre os cenários analisados, com uma produção potencialmente 9,7 milhões de toneladas menor sob a influência do El Niño forte. Junto com Goiás, que teria redução de 4 milhões de toneladas, os dois estados somam quase 80% da diferença calculada para todo o país.

A análise utilizou dados de produtividade da Conab, imagens de satélite e indicadores climáticos, projetando uma área de plantio de 49,9 milhões de hectares. Para a simulação, a empresa comparou a safra 2023/24, com El Niño forte, e a 2024/25, considerada neutra, visando refletir a tecnologia e o manejo atuais.

Daniel Oliveira, líder técnico do estudo, ressaltou que os efeitos do fenômeno variam por região, fase da cultura e preparação do produtor. Em Mato Grosso, a atenção está voltada para a distribuição das chuvas, já que estiagens na floração e no enchimento dos grãos podem prejudicar a produtividade.

No Rio Grande do Sul, a tendência é oposta, com potencial de produção 5,5 milhões de toneladas maior no cenário de El Niño forte devido à maior disponibilidade de chuvas. No entanto, a Serasa Experian alertou que o excesso de umidade pode dificultar o plantio e a colheita no Sul.

Financeiramente, a diferença de produção entre os cenários equivale a aproximadamente R$ 33 bilhões, com base no valor de R$ 1,88 mil por tonelada do Ministério da Agricultura e Pecuária. A empresa esclarece que o número é uma simulação de risco e não uma previsão de prejuízo ou quebra de safra.

O estudo também mencionou que atrasos na soja podem impactar o calendário da segunda safra de milho e algodão. Marcelo Pimenta, da Serasa Experian, afirmou que a capacidade de pagamento dos produtores dependerá de fatores como endividamento e acesso ao crédito.

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