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PF investiga desvios de R$ 48 milhões no TCE em Cuiabá, Mato Grosso

Operação Tomada de Contas revela pagamentos ocultos a conselheiros e servidores do tribunal.

Por Redação VORA News
PF investiga desvios de R$ 48 milhões no TCE em Cuiabá, Mato Grosso

A Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas em Cuiabá para apurar um esquema de pagamentos irregulares no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). A ação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), resultou no fechamento da sede do órgão para a execução de mandados de busca e apreensão, além da proibição de acesso de funcionários ao local.

A investigação aponta que sete conselheiros receberam R$ 48.464.624,53 entre janeiro e outubro de 2025, enquanto o Portal da Transparência registrou apenas R$ 2.225.631,66 em remunerações ordinárias no período. Os valores saíam da conta oficial do tribunal, mas eram processados via ordens bancárias avulsas e canais de fornecedores, sem amparo legal.

O presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida, lidera a lista de recebimentos com R$ 15,4 milhões. Outros valores expressivos foram identificados nas contas de Guilherme Maluf, com R$ 10,6 milhões, José Carlos Novelli, com R$ 8,8 milhões, Alisson Carvalho de Alencar, com R$ 8,1 milhões, e Valter Albano da Silva, com R$ 6,6 milhões.

O STJ determinou a prisão preventiva de seis pessoas, incluindo o presidente do tribunal, o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia e outros assessores e secretários. Para 15 alvos, a Justiça impôs medidas cautelares como o afastamento de funções públicas, a entrega de passaportes e a proibição de vender bens acima de R$ 50 mil.

A denúncia detalha que o esquema utilizava a simulação de crises orçamentárias para pressionar fornecedores a devolverem parte de valores recebidos à Presidência. Paralelamente, era mantida uma folha de pagamento paralela, com saques massivos de dinheiro vivo realizados no posto bancário dentro da sede do TCE-MT.

Durante as diligências, a Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie em reais, dólares e euros, além de carros de alto padrão, relógios de luxo e vinhos. A PF identificou R$ 75,85 milhões em movimentações suspeitas em 294 dias, o que levou a Justiça a autorizar o sequestro de R$ 145 milhões em bens dos investigados.

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