Deputados discutem saída de Flávio Bolsonaro em Cuiabá, Mato Grosso
Troca de acusações na Assembleia Legislativa de MT envolve alegações de fuga e resgate do senador.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em Cuiabá, foi palco de discussões entre deputados nesta quarta-feira (28) sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro do país. O parlamentar deixou o Brasil dois dias após a derrota na eleição presidencial, na qual Lula foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio.
O deputado Lúdio Cabral afirmou que o senador fugiu e desrespeitou seus eleitores ao embarcar para Miami via Argentina em um jato. Lúdio associou a viagem a questões judiciais, mencionando o empresário Careca do INSS e o banqueiro Daniel Vorcaro, e defendeu que o derrotado deveria liderar a oposição no país.
Em resposta, o deputado Gilberto Cattani declarou que Flávio foi resgatado de um regime ditatorial e que, se tivesse permanecido no Brasil, estaria preso. Cattani criticou o Supremo Tribunal Federal por fazer política e questionou a prorrogação da votação no domingo (25), alegando que a medida foi solicitada apenas pelo advogado de Lula.
As suspeitas sobre a votação foram contestadas por Carlos Avallone. O deputado informou que ambos os candidatos pediram a prorrogação do horário: a campanha de Lula por causa da frota de ônibus em Salvador e a de Flávio devido a fatores climáticos. Avallone ressaltou que apenas 35 mil pessoas votaram após as 17h, sem alterar o resultado final.
O deputado Wilson Santos comparou a saída de Flávio a presidentes que deixaram o cargo abruptamente, como João Goulart em 1964. Ele classificou o caso como inédito por envolver um candidato com quase metade dos votos e previu que a liderança da direita possa passar para Tarcísio de Freitas.
O debate ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ter determinado na segunda-feira (26) a proibição de Flávio Bolsonaro de deixar o território nacional e a apreensão de seus passaportes.
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