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Política

Prefeitura de Barra do Garças cobra R$ 14 milhões de vereador em MT

Ação judicial busca ressarcimento de dívida previdenciária gerada por erros na declaração da folha de pagamento.

Por Redação VORA News
Prefeitura de Barra do Garças cobra R$ 14 milhões de vereador em MT

A Prefeitura de Barra do Garças, em Mato Grosso, ajuizou uma ação civil pública para cobrar R$ 14.049.860,28 do vereador Armando Alves Brito. O valor refere-se a uma dívida com a Receita Federal originada em 2017 e 2018, período em que o parlamentar chefiava o Departamento de Recursos Humanos do município.

A Procuradoria-Geral do Município, liderada por Herbert de Souza Penze, protocolou o pedido na 4ª Vara Cível no dia 8 de outubro. A ação solicita a devolução integral do prejuízo, incluindo juros, multas e correção monetária, sob a alegação de que a classificação incorreta de verbas salariais como indenizatórias criou o passivo tributário.

Uma fiscalização da Receita Federal realizada entre 2020 e 2021 detectou que 47 tipos de verbas, como horas extras, insalubridade e adicional noturno, ficaram fora da base de cálculo previdenciária. O débito, que inicialmente era de R$ 11,8 milhões, subiu para R$ 14 milhões após a aplicação de multa de 225%. A prefeitura parcelou a dívida e efetua os pagamentos desde julho de 2022.

O caso também foi investigado pela Polícia Federal, que abriu inquérito em agosto de 2022 para apurar crime contra a ordem tributária. Em depoimento, Armando afirmou ter seguido orientações do então procurador-geral, Emerson Ferreira Coelho Souza. No entanto, Emerson negou a determinação de omissão, e a PF concluiu em agosto de 2023 que o ex-chefe do RH agiu por iniciativa própria.

Outras servidoras, a ex-secretária de Finanças Lucely de Sousa Cruz Torres e a ex-tesoureira Luene Pereira de Souza, declararam que a responsabilidade pelo envio das informações à Previdência era do RH. A Procuradoria do município argumenta que o vereador tentou transferir a responsabilidade sem apresentar provas.

A prefeitura não pleiteia condenação por improbidade administrativa, mas busca o reconhecimento da responsabilidade civil de Armando por dolo ou culpa grave. Foi solicitada uma perícia contábil para detalhar os valores pagos e a parcela do débito atribuída à conduta do ex-gestor. O processo é acompanhado pelo Ministério Público Estadual.

Eleito vereador em 2024 com 620 votos, Armando Alves Brito não se manifestou sobre o caso. Administrativamente, uma sindicância foi aberta em 2023, com procedimentos em andamento contra o ex-procurador-geral e o atual vereador.

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