Gaeco investiga compra de votos na Câmara de Várzea Grande, MT
Operação cumpre mandados de busca e apreensão contra vereadores e servidores por suspeitas de crimes na eleição da Mesa Diretora.

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, realiza buscas e apreensões em Várzea Grande nesta terça-feira, 20. A ação investiga a suspeita de compra de votos durante a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal, ocorrida em 14 de maio, na qual Wanderley Cerqueira foi reconduzido à presidência.
Informações preliminares indicam o cumprimento de 15 mandados. Os alvos incluem os 12 vereadores que votaram na chapa de Wanderley, o vereador Rogerinho Dakar, a servidora Lorineide Inhan e o secretário legislativo Samir Katumata. Agentes estiveram na residência da mãe de Wanderley, no bairro Ipase, e nas casas da vereadora Gisa Barros e de Lorineide Inhan.
A investigação, conduzida pelo promotor Adriano Roberto Alves, começou em maio após denúncia anônima. O relato aponta que vereadores teriam ficado em uma chácara no distrito da Guia, sob vigilância de seguranças armados, com uso de dinheiro para garantir a vitória da chapa. O Gaeco apura crimes de corrupção ativa, cárcere privado, chantagem, extorsão e ameaça.
A denúncia sugere que o controle do Legislativo visava forçar a cassação da prefeita Flávia Moretti. Como a cidade não possui vice-prefeito desde março, o presidente da Câmara assumiria o Executivo em caso de afastamento da prefeita. Também é investigado um possível acordo de propina relacionado à privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
O resultado da votação de maio foi anulado pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), por desrespeitar o prazo legal de eleição da Mesa Diretora. Wanderley Cerqueira afirmou anteriormente que não teme apurações sobre sua gestão e confirmou que parlamentares já haviam prestado depoimentos ao Gaeco em junho.
A operação acontece no mesmo dia de uma sessão da Câmara para analisar o veto da prefeita ao Código de Obras. O Ministério Público de Mato Grosso ainda não divulgou a lista oficial de investigados nem o nome da operação. Os mandados de busca visam a coleta de provas e não representam acusação formal contra os alvos.
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