Estudo da Unemat em Mato Grosso analisa cuidados em feridas por câncer
Pesquisa coordenada por docente de enfermagem foca no controle de sintomas e bem-estar de pacientes com lesões neoplásicas.

A professora Marilene Aparecida, do curso de Enfermagem da Unemat em Mato Grosso, coordenou uma pesquisa sobre o manejo de feridas neoplásicas malignas. O trabalho, publicado na Revista Sociedade Científica, contou com a colaboração de pesquisadores da UFRJ, Unirio, Uerj e UniNassau.
O estudo revisou 25 publicações internacionais entre 2015 e 2025 para identificar condutas de enfermagem em lesões causadas por tumores que frequentemente não cicatrizam. A análise focou nos impactos físicos, sociais e emocionais de sintomas como sangramento, dor, excesso de secreção e odor intenso.
Para a professora Marilene, o objetivo principal em casos de lesões avançadas deve ser o conforto, a segurança e o controle dos sintomas, priorizando a dignidade do paciente em vez da cicatrização. Ela destaca que o odor e as secreções podem causar constrangimento e isolamento social, enquanto o controle desses fatores melhora a convivência familiar.
A revisão apontou que o uso de metronidazol a 0,8% e poli-hexanida (PHMB) a 0,2% apresentou resultados similares na redução do odor até o oitavo dia. Já para a dor durante a troca de curativos, a aplicação tópica de lidocaína/prilocaína a 5% trouxe mais conforto do que a morfina oral em situações específicas.
O levantamento recomenda a higienização suave com soluções não citotóxicas e o uso de coberturas absorventes e atraumáticas para evitar novos sangramentos. Marilene ressalta que não existe um produto ideal para todos os casos, sendo necessária a avaliação e o planejamento contínuo do profissional.
A docente afirma que a qualidade do atendimento não depende apenas de materiais de alto custo, mas de prevenção de danos e avaliação adequada. Ela pontua que garantir as condições de assistência é uma responsabilidade de gestão e institucional, e não apenas do profissional individual.
O estudo também menciona a necessidade de suporte institucional e educação permanente para enfermeiros, que podem sofrer desgaste psicológico em quadros irreversíveis. Marilene conclui que o sucesso da assistência deve ser medido pela capacidade de proporcionar qualidade de vida e conforto, mesmo quando a cura não é possível.
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