CPI da Saúde em Cuiabá convoca secretária para apurar R$ 1,9 bilhão em pagamentos
Ivone Lúcia Rosset Rodrigues, multada pelo TCE, deve prestar depoimento sobre a gestão financeira da Saúde em Mato Grosso.

A CPI da Saúde da Assembleia Legislativa, em Cuiabá, deve ouvir a secretária-adjunta de Orçamento e Finanças da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, Ivone Lúcia Rosset Rodrigues. De acordo com o presidente da comissão, deputado Wilson Santos, a convocação ocorre devido à função de Ivone, que é a responsável pelo planejamento financeiro, empenhos e pagamentos da pasta.
Ivone atua como ordenadora de despesas desde 14 de junho de 2023. Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas de Mato Grosso aplicou a ela uma multa de 11 UPFs ao analisar as contas de 2023. No mesmo processo, o então secretário Gilberto Figueiredo recebeu multa de 22 UPFs, enquanto as contas de Juliano Melo, atual secretário, foram julgadas regulares.
A investigação foca em pagamentos realizados sem contrato regular. O Tribunal de Contas analisou R$ 1,94 bilhão entre 2020 e 2024, sendo R$ 1,8 bilhão em pagamentos indenizatórios e R$ 94,8 milhões em dispensas de licitação. O órgão determinou que a secretaria apresente um plano de redução desses gastos em 60 dias.
O relator Antonio Joaquim apontou que tais pagamentos representavam 29,98% das despesas em 2021 e subiram para 48,65% no período de 2024. O deputado Wilson Santos afirmou que a secretaria manteve a prática mesmo com pareceres contrários da Controladoria-Geral e da Procuradoria-Geral do Estado.
Em depoimento como testemunha, Juliano Melo alegou que parte dos gastos assegura serviços de home care e UTI, mencionando uma redução superior a 60% em 2026. Já Gilberto Figueiredo defendeu a necessidade dos pagamentos para a manutenção dos atendimentos e negou a existência de acordos ilícitos com empresas.
A comissão também busca identificar a pessoa referida como a mulher da SES em autos da Operação Espelho. O deputado Wilson Santos não confirmou se Ivone seria a pessoa citada. Gilberto Figueiredo classificou o uso da expressão como misoginia, lembrando que a secretaria possui mais de 4 mil funcionárias.
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