Vereador denuncia oferta de propina e suborno em Várzea Grande, MT
Depoimento ao Gaeco revela tentativa de compra de votos e pressões contra parlamentar na Câmara Municipal.

O vereador Caio Cordeiro, do partido Novo, prestou depoimento ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) sobre um esquema de corrupção na Câmara Municipal de Várzea Grande, em Mato Grosso. O parlamentar relatou que o então presidente da Casa, Wanderley Cerqueira, do MDB, ofereceu R$ 100 mil para garantir seu voto na reeleição da Mesa Diretora.
De acordo com o documento oficial do Gaeco, o valor estaria disponível em uma sacola no escritório localizado na residência da mãe de Wanderley Cerqueira. As investigações apontam que a casa da genitora do ex-presidente era utilizada como ponto central para reuniões de alinhamento político e tratativas do grupo.
Cordeiro também denunciou a proposta de um pagamento mensal de R$ 10 mil. Segundo o relato ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), os valores seriam custeados por Rômulo Botelho, sócio-proprietário da empresa União Transporte e Turismo Ltda. As ofertas de vantagens teriam aumentado após o vereador propor uma CPI para investigar o transporte coletivo municipal.
O parlamentar detalhou retaliações após romper com o grupo governista, incluindo a exoneração de servidores de seu gabinete por ordem da presidência da Câmara. Cordeiro afirmou ainda ter sido afastado da TV Cidade Verde por não apoiar a recondução da cúpula do Legislativo.
O inquérito registra a denúncia de furto de uma mochila do vereador, que continha um notebook e documentos da CPI, como contratos da União Transporte. Após o crime, Cordeiro relatou ter recebido ameaças virtuais, com a imagem de uma arma de fogo, exigindo a retirada do boletim de ocorrência.
Outra denúncia protocolada no Gaeco menciona a criação de um centro de articulação para a eleição da Mesa Diretora. O plano envolveria o confinamento de 12 vereadores em uma chácara no distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá, propriedade do vereador Dr. Miguel, com a circulação de dinheiro em espécie para compra de votos.
O documento apurado pelo Ministério Público indica que o grupo pretendia forçar a cassação da prefeita Flávia Moretti para controlar o município. O objetivo estratégico seria estabelecer acordos de propina relacionados à privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE). As investigações seguem com a análise de mídias e documentos apreendidos.
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